Foi em Aldoar que o presidente da Câmara do Porto encontrou um ambiente mais hostil durante a campanha eleitoral que o levaria a um segundo mandato à frente da autarquia. Rui Rio foi insultado e quase agredido e, apesar de o autarca ali ter voltado mal tomou posse, o certo é que nunca mais esqueceu o ocorrido. A junta de freguesia local nota a diferença, nomeadamente ao nível do tratamento: "Temos sido alvo de alguma perseguição e acho que já é tempo de pararem", afirma Vítor Arcos, autarca de Aldoar há cerca de um ano..O presidente da junta recorda uma série de incidentes que demonstram haver algum ressentimento da câmara para com a freguesia. Os bairros sociais "estão ao abandono", não estando prevista qualquer intervenção por parte da autarquia. "Não sei se é por a freguesia ser de uma cor política diferente ou se esta postura se estende a outras zonas da cidade, mas a verdade é que, desde há um ano, tenho feito várias diligências junto de vereadores e até agora não tive qualquer resposta", refere Vítor Arcos, socialista em coligação com a CDU em Aldoar. .Apesar dos poucos meios, tem sido a junta de freguesia a realizar algumas intervenções nos bairros de Aldoar e Fonte da Moura, nomeadamente ao nível de limpeza e no arranjo dos jardins. As queixas dos mo- radores relativamente à degradação das habitações são encaminhadas por Vítor Arcos para a câmara..Ainda à espera de solução está a construção dos acessos ao novo Centro de Saúde de Aldoar, recentemente inaugurado pelo ministro da Saúde. Ainda na fase do projecto, já a junta pressionava a câmara para a necessidade de dotar estas modernas instalações de um arruamento condigno. O processo foi-se arrastando ao ponto de a unidade se encontrar em funcionamento e ser servida apenas por um arruamento rural, nas traseiras do Hospital Magalhães Lemos, em muito mau estado e ladeado por um pinhal. Não se cruzam no local dois automóveis e não há sistema de escoamento de águas pluviais..Por este facto, a Sociedade de Transportes Colectivos do Porto (STCP) não tem nenhuma das suas linhas a servir o centro de saúde, ficando a paragem de autocarro mais próxima a cerca de 600 metros. Vítor Arcos chegou a colocar a questão em reunião da Assembleia Municipal, mas, diz, acabou por ser apelidado por Rui Rio de "intrujão"..A azeda troca de palavras entre os autarcas não se fica por aqui. Também o cemitério local foi motivo para nova quezília entre junta de freguesia e câmara. Nos primeiros meses de 2006, os serviços municipais detectaram que uma das saídas de água não estava ligada ao contador. Vítor Arcos diz ter-se tratado de uma situação com vários anos, que a própria junta desconhecia, originada pelas obras de remodelação. A torneira destinava-se à rega das campas, relvadas em estilo inglês. A câmara considerou tratar-se de "um roubo" e apresentou queixa no Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP), exigindo o montante gasto em água pelos anos não cobrados. Vítor Arcos diz ter a consciência tranquila, mas considera-se ofendido e vai também recorrer aos tribunais.